Modelo de “pilares isolados” fracassou, diz equipe internacional. Nova proposta inverte a lógica: a natureza é a base absoluta, sustentando a economia que, só então, deve servir à sociedade. Pesquisa publicada na Nature em 2026 exige métricas além do PIB.
Um manifesto assinado por mais de 1.800 cientistas de 72 países e divulgado no início de janeiro de 2026 durante o Fórum Econômico Mundial em Davos está gerando forte repercussão global: o atual modelo de “sustentabilidade” — baseado em crescimento verde, compensações de carbono, metas net-zero e relatórios ESG — não é mais suficiente para evitar o colapso ecológico e social. Os autores, entre eles nomes como Johan Rockström (Potsdam Institute) propõem um “reset radical” no conceito de sustentabilidade, com cinco pilares que vão muito além das soluções tecnológicas e de mercado dominantes hoje.
Os 5 pilares do “reset” proposto:
- Fim da ilusão do crescimento infinito: Os cientistas afirmam que o conceito de “desenvolvimento sustentável” foi sequestrado pelo crescimento econômico. A Terra já ultrapassou seis dos nove limites planetários (biodiversidade, ciclos biogeoquímicos, uso do solo, mudanças climáticas, acidificação oceânica e poluição química). Eles defendem a adoção do “pós-crescimento” ou “decrescimento planejado” em nações ricas.
- Redução drástica do consumo material dos ricos: O 1% mais rico do planeta emite mais carbono que os 66% mais pobres. O manifesto pede taxação progressiva global sobre patrimônio, consumo de luxo e emissões de alta intensidade (jatos privados, iates, criptomoedas de prova de trabalho, fast fashion de alta rotatividade).
- Democracia energética e alimentar real: Não basta instalar painéis solares e plantar árvores. É preciso descentralizar a produção de energia (comunidades energéticas) e de alimentos (agricultura regenerativa local), com controle comunitário sobre terra, água e sementes — contra a concentração em poucas corporações.
- Reparação ecológica e climática: Países ricos devem pagar reparação histórica (não apenas “financiamento climático” voluntário) para nações do Sul Global. Estimativa do manifesto: US$ 5–7 trilhões por ano até 2050, financiados por taxação sobre lucros corporativos globais, transações financeiras e combustíveis fósseis.
- Reforma radical da governança global: O manifesto defende a reforma da ONU (fim do veto no Conselho de Segurança), a criação de um Tribunal Internacional para Crimes Ambientais e a proibição legal de atividades econômicas que violem limites planetários (ex.: novas explorações de petróleo, gás e mineração em áreas de alta biodiversidade).
Repercussão imediata
- A favor: Movimentos como Fridays for Future, Extinction Rebellion, Greenpeace Internacional e cientistas do IPCC aplaudiram o texto como “corajoso e necessário”.
- Contra: Setores econômicos (Fórum Econômico Mundial, grandes corporações, governos conservadores) classificaram a proposta como “irrealista”, “anticrescimento” e “utópica”.
- No Brasil: A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, elogiou a “coragem diagnóstica”, mas disse que o país “não pode parar de crescer para combater a pobreza”. Entidades do agronegócio e da indústria criticaram a proposta de taxação global.
O desfecho até agora
O manifesto “Reset da Sustentabilidade” já tem mais de 12 mil assinaturas adicionais de cientistas, ativistas e cidadãos comuns desde o lançamento. Ele será apresentado formalmente na COP31 (prevista para 2026, no Brasil) como base para um novo pacto global.
A ciência está dizendo, com todas as letras: o modelo atual de sustentabilidade não está salvando o planeta — está apenas adiando o colapso enquanto mantém os lucros. O “reset” proposto é radical, mas os autores argumentam que qualquer coisa menos que isso será insuficiente.
O Jornal 25News acompanha se essa chamada por reinicialização vai ganhar tração política ou se ficará apenas como mais um grito de alerta no vazio. Porque, como diz o próprio manifesto: “O tempo da meia-medida acabou. Ou resetamos a sustentabilidade, ou resetamos a civilização.”
Fonte: Jornal 25 news.