Professor Vladmir Silveira

Notícias, Sustentabilidade

O que é transparência climática e por que ela é importante

A transparência climática se concentra em mapear o quão bem os países estão cumprindo suas promessas de combater as mudanças climáticas. O processo ajuda a construir confiança entre as nações, o que os especialistas dizem ser vital para cumprir o Acordo de Paris e acabar com a crise climática. A transparência tem sido reconhecida como um fator que estimula as nações a serem mais ambiciosas em suas metas climáticas, embora o mundo continue no caminho para um aquecimento potencialmente catastrófico. À medida que a crise climática piora, os especialistas dizem que é cada vez mais importante que os países reforcem seus relatórios relacionados ao clima, inclusive incorporando dados mais confiáveis. O PNUMA está ajudando 68 nações a preparar seus relatórios bienais de transparência, que são um mecanismo fundamental sob o Acordo de Paris. Os próximos meses serão críticos na batalha contra as mudanças climáticas. Dezenas de nações vão apresentar seus planos climáticos atualizados antes da próxima rodada de negociações climática em Belém, Brasil. Esses documentos, conhecidos como contribuições nacionalmente determinadas, são exigidos pelo Acordo de Paris. Eles descreverão como os países planejam lidar com as mudanças climáticas e suavizar seus impactos brutais. Se bem-feitos, eles também podem servir como modelos para impulsionar o crescimento econômico, criar empregos, melhorar a saúde humana e promover a segurança energética. Com tanto em jogo, especialistas em clima dizem que é crucial não apenas acertar os planos, mas cumpri-los – e é aí que entra um processo conhecido como transparência. Às vésperas do Fórum Global de Transparência – uma reunião de especialistas em clima de 3 a 5 de setembro na República da Coreia – aqui está uma análise mais detalhada do que é transparência e porque ela é considerada fundamental para acabar com a crise climática. O que é transparência climática?  De um modo geral, transparência significa acompanhar como governos e empresas estão cumprindo suas promessas relacionadas ao clima. Esse tipo de monitoramento e relatório pode ser feito por terceiros ou por governos sob um mecanismo específico do Acordo de Paris, o pacto histórico de 2015 para combater a crise climática. Como funciona a transparência no Acordo de Paris?  A Estrutura de Transparência Aprimorada conecta as promessas climáticas às metas de temperatura, o que a torna a espinha dorsal do acordo. Na prática, a transparência envolve a comunicação e revisão de informações e dados climáticos nacionais, principalmente por meio de relatórios bienais de transparência. Além disso, esses documentos descrevem: as emissões anuais de gases de efeito estufa de um país; como uma nação está planejando reduzir as emissões e se adaptar às mudanças climáticas; quanto progresso um país fez em direção às suas metas climáticas; e que tipo de apoio – incluindo aconselhamento e financiamento – que um país precisa para atingir suas metas. A primeira rodada desses relatórios, que ainda estão sendo enviados, ajudará a orientar as novas promessas climáticas que serão feitas ainda este ano. Como a construção de transparência ajuda os países a cumprir os compromissos climáticos? A transparência revela se as nações estão cumprindo seus compromissos sob o Acordo de Paris, responsabilizando-as no cenário internacional. “A transparência é importante em todas as esferas da vida – desde lidar com entes queridos até implementar acordos internacionais”, diz Hongpeng Lei, chefe da Divisão de Mitigação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). “Quando se trata de mudança climática, ser transparente demonstra que as nações estão fazendo o que prometeram fazer – construindo a confiança que é vital para combater esta crise.” A transparência é importante por outros motivos?  Sim. Ela oferece aos países os dados de que precisam para projetar e implementar planos climáticos eficazes. Desbloqueia o financiamento estimando os custos desses planos, rastreando os fluxos de financiamento e mostrando aos doadores e contribuintes que o dinheiro está sendo bem gasto. Identifica o que está funcionando para que outros municípios, regiões e países possam duplicar políticas bem-sucedidas. Junte todos esses elementos e você terá uma ação global unida que pode reduzir realmente as emissões de gases de efeito estufa e ajudar as nações vulneráveis a se adaptarem aos crescentes impactos climáticos. O Acordo de Paris foi assinado há 10 anos. O que os relatórios de transparência revelaram sobre a posição dos países? Eles estão cumprindo suas promessas? Os relatórios de transparência revelaram que a ação climática tem sido misturada. A maioria das nações ainda não está no caminho certo para cumprir plenamente suas promessas: as emissões ainda estão aumentando em muitas regiões e a implementação continua atrasada. Mas a transparência tem sido fundamental para esclarecer essa lacuna. A boa notícia é que – devido em grande parte aos relatórios de transparência – muitos governos fortaleceram suas promessas climáticas desde 2015. Isso fez com que as projeções de aquecimento global caíssem significativamente. Sem cooperação global, a humanidade estaria caminhando para um aumento catastrófico de 5° C nas temperaturas neste século. Mas com o Acordo de Paris e as promessas subsequentes, o mundo agora está se aproximando de 2,6 a 3,1ºC, revelam dados do PNUMA. No entanto, isso ainda está longe da meta de temperatura do Acordo de Paris. Existem exemplos encorajadores de transparência na ação? Sim. Embora não faça parte explicitamente da Estrutura de Transparência Aprimorada do Acordo de Paris, o Observatório Internacional de Emissões de Metano é um ótimo exemplo de como a transparência pode levar a mudanças no terreno. Por meio do observatório, o PNUMA aproveitou dados de satélite para detectar grandes vazamentos de metano, um potente gás de efeito estufa, e alertar governos e empresas. Somente na Argélia e no Iêmen, a descoberta de vazamentos ajudou a reduzir as emissões, o equivalente a tirar quase 1 milhão de carros das ruas. O que o PNUMA está fazendo para aumentar a transparência?  O PNUMA tem uma série de iniciativas que apoiam os países em desenvolvimento no cumprimento de seus compromissos sob o Quadro de Transparência Aprimorada. No ano passado, a organização facilitou a apresentação de 49 relatórios, incluindo 22 relatórios bienais de transparência. Este ano, com financiamento do Fundo

Artigos, Sustentabilidade

Justiça Climática

A Justiça Climática propõe uma abordagem que une as dimensões ambiental e social das mudanças climáticas, reconhecendo que seus impactos não afetam todas as populações da mesma forma. Comunidades em situação de vulnerabilidade, com menos acesso a recursos e infraestrutura, são as que mais sofrem com eventos climáticos extremos, mesmo tendo contribuído menos para a crise ambiental. Essa perspectiva defende que as políticas de mitigação e adaptação devem considerar a equidade e a responsabilidade histórica dos países e grupos sociais, promovendo uma transição justa para modelos sustentáveis de produção e consumo. Envolve, portanto, a redistribuição de recursos, o fortalecimento da participação social e a promoção de direitos humanos como pilares da ação climática. A consolidação da Justiça Climática depende da aplicação de princípios fundamentais do Direito Ambiental, como a prevenção, a precaução, o poluidor-pagador, o desenvolvimento sustentável e a participação pública. Esses princípios asseguram que o enfrentamento da crise climática ocorra de forma ética, democrática e comprometida com a proteção das gerações presentes e futuras. Ao integrar justiça social e proteção ambiental, a Justiça Climática reforça a necessidade de decisões políticas e econômicas que priorizem a redução das desigualdades e a construção de um futuro sustentável e equilibrado para todos

Notícias

Grupo na ONU pede a Brasil para interromper retrocesso em política ambiental

O artigo publicado pela Organização das Nações Unidas destaca a importância do fortalecimento do multilateralismo e da cooperação internacional diante dos desafios globais contemporâneos. A matéria reforça que, em um cenário de crescentes tensões geopolíticas, mudanças climáticas, crises humanitárias e desigualdades sociais, o papel da ONU permanece essencial para promover a paz, o desenvolvimento sustentável e a defesa dos direitos humanos. O texto reconhece, contudo, que a instituição enfrenta limitações estruturais e políticas que comprometem sua capacidade de resposta diante de emergências complexas. Questões como a escassez de recursos, a polarização entre Estados-membros e a necessidade de maior representatividade nos processos decisórios são apontadas como barreiras à plena efetividade das ações multilaterais. Diante desse contexto, a ONU faz um chamado à comunidade internacional para renovar o compromisso com o sistema multilateral, defendendo reformas que ampliem a transparência, a legitimidade e a eficiência da organização. O artigo enfatiza que enfrentar os desafios globais exige um esforço coletivo entre governos, organismos internacionais, sociedade civil e setor privado. Por fim, o texto projeta uma visão de futuro pautada na cooperação e na responsabilidade compartilhada. Uma ONU fortalecida e apoiada politicamente pelos seus Estados-membros é apresentada como condição fundamental para que a comunidade internacional avance rumo a um mundo mais justo, pacífico e sustentável.

Notícias

Estudo mostra que ilhas brasileiras abrigam espécies únicas do planeta

Um estudo internacional que analisou mais de sete mil espécies de peixes recifais em 87 ilhas e arquipélagos revelou que regiões brasileiras como Fernando de Noronha, São Pedro e São Paulo e Trindade estão entre as mais importantes do planeta para a conservação marinha. A pesquisa destacou que, mesmo com o avanço do turismo e de outras atividades humanas, essas ilhas mantêm um elevado índice de endemismo, abrigando espécies que não existem em nenhum outro lugar do mundo. Apesar disso, esses ecossistemas permanecem altamente vulneráveis à pesca predatória, à poluição, à pressão turística e aos efeitos das mudanças climáticas. O levantamento também alerta para o aumento do nível do mar e a intensificação de eventos climáticos extremos, que colocam em risco tanto a vida marinha quanto a integridade dos territórios insulares. Diante desse cenário, o estudo reforça a necessidade de políticas públicas mais eficazes de conservação, monitoramento ambiental constante e uso sustentável dos recursos naturais. A preservação das ilhas brasileiras é fundamental para a proteção da biodiversidade e para o equilíbrio ambiental global.

Notícias

Cerrado perdeu 28% de sua cobertura original em 40 anos, diz estudo

Um levantamento recente revelou que o Cerrado perdeu 40,5 milhões de hectares de vegetação nativa entre 1985 e 2024, o que corresponde a uma área equivalente a uma Bahia e meia. Essa redução representa 28% da cobertura original do bioma e evidencia um processo de degradação ambiental acelerado. O estudo aponta que a expansão agropecuária é o principal fator responsável pela perda de vegetação, com destaque para a região conhecida como Matopiba, que abrange partes dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, e concentrou 39% da perda líquida no período analisado. Atualmente, cerca de 47,9% da área total do Cerrado é ocupada por atividades agropecuárias, enquanto 51,2% ainda permanecem cobertas por vegetação nativa. As formações savânicas foram as mais impactadas, com redução de 26,1 milhões de hectares, o que representa 32% de sua extensão original. Na última década, o bioma perdeu 6,4 milhões de hectares de vegetação, sendo 73% desse total registrados na região do Matopiba. O número de municípios com mais de 80% de cobertura vegetal caiu de 37% para apenas 16%, e 24% das cidades do bioma agora possuem menos de 20% de áreas naturais preservadas. Esses dados reforçam a urgência da adoção de políticas públicas eficazes voltadas à preservação ambiental, ao uso sustentável do solo e à conscientização coletiva sobre a importância do Cerrado para o equilíbrio ecológico e climático do país.

Vladmir Oliveira da Silveira
Eventos Realizados

III Congresso Internacional de Direito, Políticas Públicas, Tecnologia e Internet da Faculdade de Direito de Franca (FDF)

Gostaria de expressar minha sincera gratidão pela oportunidade de participar do III Congresso Internacional de Direito, Políticas Públicas, Tecnologia e Internet da Faculdade de Direito de Franca (FDF), realizado entre os dias 30 de setembro e 3 de outubro. No dia 1º de outubro, tive a honra de integrar o Painel “Democracia e Integridade da Informação” ao lado dos ilustres professores Rubens Beçak (USP), Abner Jaques (UFMS) e Fabrício Facury Fidalgo (FDF), sob a mediação da professora Júlia Mesquita (PPGD/FDF). Foi uma experiência enriquecedora poder discutir e compartilhar reflexões sobre temas tão relevantes e urgentes, como a desinformação e a integridade da informação na democracia contemporânea. O evento, marcado pela presença de pesquisadores e especialistas renomados de diversos países, foi um espaço privilegiado para o intercâmbio acadêmico e o fortalecimento dos debates científicos sobre questões fundamentais do mundo atual, incluindo os desafios da regulação no ciberespaço, os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho e as consequências ambientais trazidas pela tecnologia. Agradeço à Faculdade de Direito de Franca pela promoção de um congresso tão significativo, que reafirma a importância do diálogo acadêmico para enfrentar os desafios globais contemporâneos. 

Sustentabilidade

Calor escaldante: como os países podem combater a crescente ameaça do calor extremo

Quando uma onda de calor cobriu a Europa no início de julho, ela fez mais do que apenas tornar os dias insuportáveis e as noites encharcadas de suor. As temperaturas escaldantes – que chegaram a 45 °C em alguns lugares– mataram mais de 2.300 pessoas em 12 países, segundo um novo estudo do Imperial College de Londres. A maior parte dessas pessoas, segundo o estudo, teria sobrevivido se não fosse pelas mudanças climáticas. O relatório destaca o que especialistas apontam como a ameaça crescente do calor extremo. Antes relativamente raras, temperaturas extremamente elevadas estão se tornando mais comuns à medida que a humanidade emite gases de efeito estufa na atmosfera, alimentando a crise climática e deixando moradores de áreas urbanas, de Toronto a Delhi, desesperados por formas de escapar do calor. “A realidade é que nosso planeta está fervendo”, diz Martin Krause, diretor da Divisão de Mudanças Climáticas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. “À medida que o calor extremo se torna o novo normal, o resfriamento está se tornando essencial para proteger a saúde, os empregos, o abastecimento de alimentos e até mesmo a infraestrutura.” Aqui está uma análise mais detalhada sobre o calor extremo e o que pode ser feito a respeito. O que exatamente é calor extremo? O termo geralmente descreve temperaturas muito acima do normal para uma determinada região. Assim, em pleno inverno na Antártida, um dia com 0 °C seria considerado extremo. Mas, para os seres humanos, o verdadeiro perigo surge quando a chamada temperatura de bulbo úmido se aproxima dos 35ºC. A leitura de bulbo úmido combina calor e umidade em um único valor. A partir dos 35 °C, o corpo humano pode ter dificuldade em se resfriar  por meio da transpiração. Isso aumenta os riscos de insolação, que, em casos extremos, pode causar falência de órgãos e morte. Entre 2000 e 2019, cerca de 500 mil pessoas morreram anualmente de doenças relacionadas ao calor. O que está provocando esse calor extremo? Em resumo, os seres humanos. Desde o início da Revolução Industrial, a humanidade está queimando combustíveis fósseis e enchendo a atmosfera de gases de efeito estufa, o que elevou a temperatura média global em 1,2ºC. Isso pode não parecer muito, mas já é o suficiente para desestabilizar sistemas climáticos delicados e tornar as ondas de calor mais frequentes. Por exemplo, pesquisas indicam que a mudança climática tornou 100 vezes mais provável a ocorrência da onda de calor mortal que atingiu o Mediterrâneo em 2023. Fonte: Unep.

Notícias

FAPESP é selecionada para integrar a Zona Azul dos Pavilhões Brasil na COP30

A FAPESP teve sua proposta de painel selecionada para a Zona Azul dos Pavilhões Brasil na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), a ser realizada entre os dias 10 e 21 de novembro, em Belém (PA). A lista das 70 instituições selecionadas foi divulgada na quinta-feira (25/09) pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). A mesa-redonda da FAPESP está agendada para ocorrer em 15 de novembro e terá como tema Descarbonização até 2050: Desafios e Oportunidades para a Cooperação Sul-Sul. A apresentação será de Gilberto Jannuzzi, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e assessor da Diretoria Científica para o Programa de Transição Energética da FAPESP. “Teremos a participação de especialistas da África do Sul, Indonésia, China e Índia”, conta Thelma Krug, coordenadora do Conselho Científico da COP30 e integrante do Conselho Superior da FAPESP, que vai moderar o evento. O objetivo da Fundação é promover uma troca de experiência entre países em desenvolvimento que enfrentam diferentes barreiras rumo à descarbonização de suas economias, mas também vislumbram oportunidades para assegurar uma transição energética socialmente justa e economicamente viável. As agências de fomento à pesquisa podem contribuir para a transição energética ao financiar projetos e inovação em energias renováveis e tecnologias de baixo carbono, estimular o investimento internacional nesse setor, apoiar a criação de um ambiente fiscal e regulatório favorável a soluções sustentáveis, promover a capacitação de recursos humanos e o desenvolvimento de novas cadeias produtivas para uma economia verde. As propostas foram analisadas pelo Comitê Técnico responsável pelos Pavilhões Brasil, formado pelo MMA, Ministério das Relações Exteriores (MRE), Presidência da COP30, Secretaria de Articulação e Monitoramento da Casa Civil, Secretaria Geral e Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República. A Zona Azul concentra as discussões voltadas à implementação das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês) do Brasil no âmbito do Acordo de Paris, em um contexto de cooperação internacional. Das cerca de 1.270 propostas recebidas, 140 foram selecionadas na chamada coordenada pelo MMA – 70 para a Zona Azul e 70 para a Zona Verde –, em que serão debatidos temas relevantes para a sociedade brasileira. Na COP28, em Dubai, foram submetidas 700 propostas; já na COP29, em Baku, foram 500. O volume de propostas para a COP30 representa aumento aproximado de 81% em relação a Dubai e 154% em relação a Baku. Fonte: Agência FAPESP.

Notícias

Como uma enorme mancha de lixo virou um ecossistema no oceano?

Área três vezes maior que a Bahia concentra redes, garrafas e microplásticos levados por correntes marítimas. No meio do Oceano Pacífico, entre os Estados Unidos e o Japão, existe uma mancha de lixo com mais de 1,5 milhão de km². Para ter uma ideia, é como se o estado da Bahia fosse coberto três vezes por plástico. Essa massa de detritos não está parada por acaso. Ela é mantida no mesmo ponto pelos giros oceânicos, grandes correntes marítimas que circulam em redemoinhos e acabam reunindo redes de pesca, garrafas e milhões de microplásticos em uma mesma região. O mais surpreendente, porém, é que essa mancha se transformou em um ecossistema inusitado. Pesquisadores já identificaram caranguejos, anêmonas, algas e até microrganismos vivendo e se reproduzindo no plástico. O fenômeno ganhou até nome: “plastisfera”, uma espécie de recife artificial em alto-mar. Apesar da dimensão, a mancha não aparece em imagens de satélite. O motivo é que o plástico é muito disperso — ocupa menos de 0,02% da superfície da área— e se mistura facilmente a algas e sedimentos. Por isso, o que existe são mapas de concentração feitos a partir de navios e drones. Mas esse novo ecossistema também tem um lado perigoso. As mesmas correntes que reúnem o lixo transformam os resíduos em verdadeiras balsas, capazes de transportar espécies de um continente a outro. Isso favorece a propagação de organismos invasores e até de micróbios que podem causar doenças. A fauna marinha também sofre os efeitos: baleias, tartarugas e peixes confundem o plástico com alimento e muitas vezes acabam morrendo asfixiados. Há iniciativas internacionais para recolher parte desse lixo, mas o desafio é grande. A remoção pode levar junto as espécies que conseguiram se adaptar ao recife artificial criado pelo plástico. Fonte: G1

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